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Perícia encontra sangue no “bebê conforto” e no veículo do caso da criança morta em Prado

O delegado Júlio César Telles, titular da Polícia Civil de Prado, presidente do inquérito policial que apura a morte do garotinho Pedro Silva Carneiro, de 9 meses de idade, informou na noite deste último sábado (03/12), durante a perícia por reação luminol no veículo dos pais do bebê, que vai concluir o inquérito do caso ainda esta semana e remetê-lo à justiça. Quando definirá se representa pela prisão preventiva do casal ou se descarta a possibilidade do pai e da mãe terem tido a participação na morte da criança.

Os pais da vítima, Jorge Mendes Carneiro Junior, 41 anos e a sua esposa Erisângela Santos Silva, 38 anos, estão presos na sede da 8ª Coordenadoria Regional da Polícia Civil de Teixeira de Freitas desde o último dia 9 de novembro. O casal foi preso por força de um mandado de prisão temporária decretado pelo juiz Leonardo Santos Vieira Coelho, da comarca de Prado, expedido no último dia 8 de novembro, que atendeu uma representação do delegado Júlio César Teles, acusados de participação na morte da criança, ocorrida em 29 de outubro de 2016, numa estrada litorânea ao norte do município de Prado.

Na manhã desta última sexta-feira (02), o Tribunal de Justiça da Bahia negou um pedido do habeas corpus em favor do casal. Na noite deste último sábado (03), a Caminhonete Hilux dos pais do bebê foi examinada pelos peritos do Departamento de Polícia Técnica de Teixeira de Freitas objetivando encontrar manchas de sangue no veículo e o trabalho foi acompanhado pelo delegado presidente do inquérito Júlio Telles. Os peritos Bruno Melo, Eder Ramos e Sandro de Abreu utilizaram o luminol, um produto químico especial capaz de fazer aparecer traços de sangue em locais invisíveis a olho nu.
Eles utilizaram também iluminação ultravioleta, um dos equipamentos mais utilizados pelos peritos para revelar cenas ocultas de um crime. O perito criminal Bruno Melo que presidiu os trabalhos periciais, aplicou borrifadores especiais em todo veículo objetivando descobrir os resquícios sanguíneos ao ter contato com a hemoglobina, identificando o ferro presente no sangue por meio da geração de uma intensa luz azul que pode ser vista em um local escuro ou no momento em que se apaga a luz do ambiente.

O perito criminal Bruno Melo disse que a técnica é tão eficaz que pode encontrar os vestígios de sangue “mesmo em locais onde um criminoso tentou eliminar as pistas, usando fortes produtos de limpeza”. Só foi possível encontrar manchas de sangue no banco dianteiro do carona e na lateral da mesma poltrona na parte de acesso ao banco traseiro. Mas os peritos não esperavam encontrar sangue no “bebê conforto”, tanto na almofada, quando na parte externa inferior do carrinho.

O delegado Júlio Teles disse que encontrar sangue na poltrona dianteira era de se esperar porque a mãe da criança sempre disse que o filho golfou sangue sobre seu colo após ter socorrido o menino. Mas se disse surpreso ao encontrar sangue no carrinho do bebê, dizendo que em nenhum momento das investigações ficou sabendo que após o acidente o bebê teria retornado para o “bebê conforto”, que segundo os pais, o bebê não estava preso ao carrinho do “bebê conforto”, mas o carrinho sim, estava travado no cinto de segurança e mesmo com a freada não seria possível o carrinho se deslocar para outro local.

A defesa do casal acusado, representada pelo advogado criminalista Gean Prates, diz que o exame resultou dentro do esperado. Disse que o sangue na poltrona dianteira era de se aguardar, porque a mãe conta em depoimento que quando socorreu a criança após a queda na estrada ele não sangrava e após promover um procedimento de respiração boca a boca no bebê, ele golfou sangue sobre ela. E, a partir da daí, a mãe passou manusear as coisas com as mãos suja de sangue, inclusive manuseando o “bebê conforto” sobre o banco traseiro.

O perito criminal Bruno Melo disse que o que foi encontrado foram manchas semelhantes a sangue e foi enfático em dizer que já se passaram mais de 30 dias do fato e era natural que o resultado possa ser prejudicado em razão do tempo. Mas, que mesmo assim, vai encaminhar todas as amostras para o laboratório central do Departamento de Polícia Técnica em Salvador, objetivando a possibilidade de obter um resultado oficial.
Perícia com luminol é feita à noite e reagente apresenta sinais de sangue e secreções em contato com iluminação específica
Para o delegado Júlio Teles, o laudo concludente da exumação lhe ofereceu materialidade para preencher a sua suspeita inicial, quando resolveu apurar o caso e, entende que a criança foi morta vítima de agressão física. Ele contesta a dinâmica do menino ter sofrido três traumas na cabeça em regiões diferentes por queda de veículo e não ter sofrido um único aranhão no corpo sobre a estrada de barro, sendo que ele só trajava fralda no momento do evento delitivo.

E em relação à queda da criança, o advogado Gean Prates, esclarece que a constatação de aranhões ou não no corpo do bebê é somente uma suposição e não é fato, tendo em vista, segundo ele, que a defesa ainda não teve acesso as fotografias forenses do IML mostrando ou comprovando que o bebê não sofreu aranhão algum na queda do veículo.

O perito criminal Bruno Melo, autoridade cientifica que também presidiu os trabalhos na reprodução simulada, no local indicado pelos pais da vítima onde teria ocorrido o acidente, disse que deve entregar o laudo concludente da reconstituição até o final deste mês de dezembro. E, adiantou, que ainda paira algumas dúvidas em relação à dinâmica do acidente descrita pelos pais da criança. E que mesmo freando o carro, o bebê não seria projeto para o lado e sempre para frente. Só seria possível se ele freasse curvando para a sua direita, para o acostamento. Até porque no local indicado, não é curva, é uma reta.

Os pais contam que a criança cai com a freada do carro, tão logo a mãe ter gritado para o marido: “Jorge a porta abriu” e ele faz a frenagem bruscamente com a porta indo ao canto e a criança caindo para fora, possivelmente de cabeça para baixo. Ainda em relação à dinâmica, o perito Bruno Melo tenta entender a possibilidade de uma queda contada na versão dos pais ter provocado três fraturas ósseas em três lugares distintos da cabeça: uma na região temporal esquerda (acima da orelha) e outra na região parietal (nuca), além de uma terceira fratura na mandíbula (maxilar, queixo).

Mas o advogado Gean Prates defende dizendo que são detalhes que os acusados talvez não lembraram, porque no dia, eles estavam vindo da praia, onde ingeriram bebida alcoólica e mesmo assim são possíveis de lembrar, basta que não haja pressão sobre seus argumentos. Defendendo que as perícias deveriam ter agido com independência total nos trabalhos sem a interferência ou a presença da autoridade policial que preside o inquérito.
O delegado Júlio Teles por sua vez disse que o seu papel é esgotar todas as probabilidades, dúvidas e oferecer todas as chances aos acusados de se defenderem para que não fique restando à mínima dúvida sobre o inquérito produzido. Disse que pretende remeter a justiça ainda esta semana o inquérito policial do caso devidamente concluído, conforme o seu convencimento, mesmo restando à chegada dos laudos de criminalísticas.

Ressaltando que está sendo prudente e coerente em relação a todo o caso, tanto que conseguiu do Estado todos os recursos possíveis a fim de realizar o trabalho investigativo e cientifico para que a dúvida não haja. E destacou que pedirá a prisão preventiva do casal se for necessário e que também será judicioso caso entenda que não deva indiciar os acusados. (Por Athylla Borborema).

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