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Aldeia Cahy em Cumuruxatiba reage ao GTE e reafirma compromisso com Relatório Indígena

O Ministério da Justiça publicou no último dia 17 de janeiro, a Portaria nº 68 no Diário Oficial da União criando o Grupo Técnico Especializado (GTE) para ouvir as comunidades tradicionais da região que alegam que não foram ouvidas pelo estudo da FUNAI e também decidiu sob orientação da Casa Civil da União por ordem da Presidência da República que não se demarcará nenhuma terra indígena no Brasil em áreas onde se criou aldeias após a Constituição Federal da República de 1988.

A ação do Ministério da Justiça é em atendimento a defesa apresentada pela comunidade nativa, fazendeiros e pousadeiros que contrapõem ao estudo da FUNAI que originou a publicação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Mexatiba, anteriormente chamada de Cahy-Pequi, situada entre o distrito de Cumuruxatiba e o balneário de Corumbau, no município de Prado, publicado pela FUNAI – Fundação Nacional do Índio no Diário Oficial da União na segunda-feira do último dia 27 de julho de 2015.
Os indígenas da Aldeia Cahy, situada na foz do rio do Peixe, em Cumuruxatiba, no litoral norte do município de Prado, reagiram ao ato da nova ação do Ministério da Justiça e demonstraram indignação com a matéria publicada no Teixeira News no último dia 7 de fevereiro em que fez uma retrospectiva do processo desde 2001 e, que é publico e de livre acesso a nação brasileira.

A própria vice-cacique Jovita Maria de Oliveira, a “Índia Escorpião” da Aldeia Cahy, ligou pessoalmente para um dos jornalistas do Teixeira News expressando a sua indignação e revolta com o histórico apresentado na matéria e reafirmou o seu compromisso com a cultura e com as causas indígenas.

Jovita disse que ainda existe muito preconceito com os índios e o principal problema é que, na verdade, os povos indígenas, infelizmente, não têm muito o que comemorar: são séculos de massacre, remoção de suas terras, preconceitos, violência, demora na demarcação de suas terras, falta de atendimento básico de saúde. E esses são apenas alguns dos problemas enfrentados pelas populações indígenas no Brasil.

Segundo ela, são reconhecidos aos índios sua organização social, seus costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, correspondendo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. Até hoje a maioria das terras indígenas não foram demarcadas, causando constantes conflitos, sofrimentos e graves violações de direitos humanos contra os povos indígenas no país e que no município do Prado não tem sido diferente.
A índia Jovita disse que diferente da visão capitalista (do agronegócio) onde a terra é vista como propriedade, mercadoria, algo a ser explorado, lucrativo, fonte de poder e ambição -, para os povos indígenas a terra não possui essa conotação mercantilista, a terra não é vista como fonte de lucro, mas de vida. “A terra é viva (sofre, sangra, reage) e fonte de vida, sagrada, é mãe (mãe-terra). Não compreende uma relação de dominação da natureza, mas uma relação que compreende um modelo de desenvolvimento sustentável, de respeito e preservação da natureza”, disse.
O jovem Ricardo Neves de Oliveira, filho do casal de índios José Francisco Neves de Azevedo, o “Índio Zé Chico” ou “Cacique Timborana” e da vice-cacique Jovita Maria de Oliveira, a “Índia Escorpião” da Aldeia Cahy, publicou na sua página no Facebook, também a sua indignação pelo aparente descaso do governo com as causas indígenas no município de Prado e também demonstrou repulsa ao relato da nota jornalística do Teixeira News, e disse que a luta pela posse do território tradicional é uma realidade e que somente brigam pelos seus direitos que são garantidos pela Constituição Federal.

Ricardo relata o seu total respeito pelas outras famílias tradicionais da região de Comuruxatiba que resistem ao estudo da demarcação indígena e que aparentemente estariam a favor dos fazendeiros e investidores hoteleiros, contudo, contesta que estas mesmas famílias estão na maioria vendendo suas próprias terras seculares para capitalistas dos grandes centros brasileiros e do estrangeiro que chegam à região para humilhar os nativos, fechando os acessos das praias e proibindo os pescadores a sua lida diária e até mesmo os turistas de terem acesso à costa.

Por sua vez, o Teixeira News informa a população do município de Prado que nunca foi a intenção do veículo manipular qualquer tipo de informação em relação a qualquer fato. E que em relação ao Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Mexatiba, o portal sempre esteve à disposição de ambos os lados conforme se pode comprovar em nossos arquivos no canal de buscas. O Teixeira News sempre deu espaço aos dois grupos, tantos aos índios pataxó favoráveis à terra indígena, quanto aos nativos e fazendeiros contrários a terra indígena. E informamos que, enquanto a democracia prevalecer no Brasil, as partes aqui serão ouvidas na proporcionalidade e com a devida imparcialidade sempre que os fatos se justificarem. (Da redação TN).

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