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Mesmo diante de ação de despejo, sem terra realizam assembleia, denunciam Mayra Brito e decidem continuar acampados na Prefeitura do Prado

As famílias de trabalhadores ligadas ao Movimento dos Sem Terra (MST), acampadas no prédio da Prefeitura Municipal do Prado desde o último dia 6 de fevereiro, receberam nesse final de semana, a ordem de despejo através de liminar de reintegração de posse expedida pelo juiz Leonardo Santos Coelho. Caso a ordem não seja obedecida, a multa diária estabelecida é de R$ 10 mil.

Mas na tarde deste domingo (12), cerca de 600 sem terra, estudantes e pais de alunos das escolas do campo, realizaram uma assembleia na Praça de Alimentação do Prado e denunciaram o que eles chamam de irregularidades e descasos com a educação da área rural praticados pela prefeita Mayra Brito (PP).

Os estudantes afirmam que as aulas iniciaram na zona urbana desde a última segunda-feira (06), porém nas escolas do campo ainda não há previsão. A direção do Movimento na região destacou que a estrutura de ensino está precarizada e faltam educadores, transporte escolar e as estradas estão esburacadas.

Pensando nisso, Maristela Cunha, da direção estadual do MST, disse que a assembleia reafirmou a luta dos trabalhadores e que não irão se dobrar frente ao autoritarismo da prefeita, além de denunciar a falta de infraestrutura nas escolas.

“Tivemos no município do Prado três escolas fechadas e outras que precisam ser construídas, sem contar as que estão faltando cadeiras, merenda, transporte e educadores. O descaso chega a ser tão grande, que nas escolas que construímos com nossos recursos a prefeita não teve a capacidade de contratar os educadores”, enfatizou Maristela.

Na assembleia, mesmo diante da notícia de reintegração de posse, os trabalhadores ligados ao MST decidiram continuar acampados e caso não sejam atendidos, dizem que irão realizar uma ocupação em um dos vários latifúndios “improdutivos” que a família da prefeita Mayra Brito possuiria na região.

Ao avaliar essa decisão, destacaram que a prefeitura é do povo, assim como os latifúndios improdutivos e a ocupação será mais uma forma de denúncia e luta por direitos.

Descaso com a educação

Lembrando do processo de luta construída até então, Paulo César, também da direção estadual, afirmou que os Sem Terra tinham organizado uma comissão de pais e estudantes que foram à prefeitura, no dia 06, na tentativa de dialogar e encontrar uma solução para os problemas, pois estavam preocupados com o início do ano letivo e necessitavam resolver as diversas irregularidades.

“Com o esforço para construção do diálogo e a urgência do caso, a prefeita não nos atendeu e deixou recado que só poderia receber-nos após o carnaval. E foi diante desse fato que os estudantes e pais resolveram ocupar e montar acampamento na prefeitura”.

“Mesmo assim, a prefeita não ouviu os trabalhadores, não encontrou uma solução para o problema e em mais uma ação de total descaso com a educação do campo, conseguiu uma liminar de despejo e colocou a Polícia Militar para retirar os estudantes”, contou César.

Governador da Bahia intervém


Ao saber do caso, o governador Rui Costa (PT), que estava cumprindo uma agenda em Alcobaça,- cidade vizinha-, garantiu que se reuniria com a prefeita e que também enviaria um representante do governo para acompanhar as negociações.

Para Evanildo Costa, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), as irregularidades com a educação no município do Prado e a falta de atenção com as comunidades do campo, demonstram a incapacidade administrativa de Mayra Brito, além da falta de compromisso com os trabalhadores e por isso a luta deve continuar em defesa não apenas de uma educação de campo, mas também, de uma Reforma Agrária realmente popular. (Da redação TN)

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