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Morre Frans Krajcberg, o gênio que adotou a floresta brasileira a partir de Nova Viçosa

O filho mais ilustre da cidade de Nova Viçosa e o artesão mais importante do mundo, o artista plástico Frans Krajcberg morreu aos 96 anos de idade no final da manhã desta quarta-feira, feriado da proclamação da republica (15/11), no Rio de Janeiro, onde estava internado há um mês no Hospital Samaritano, na zona sul da cidade.

No último dia 12 de abril, quando Frans Krajcberg comemorou em seu Sítio Natura, endereço que todo mundo respeita e admira, em Nova Viçosa, seus 96 anos de idade, na presença de muitos empresários colecionadores das suas obras, políticos e artistas importantes, ele já apresentava um quadro de saúde fragilizado.

No último dia 12 de outubro, Frans Krajcberg foi acamado por causa de uma gripe forte e terminou levado para uma unidade hospitalar em Teixeira de Freitas, cidade há 125 quilômetros de Nova Viçosa. Mas terminou sendo transferido para o Rio de Janeiro, onde chegou à capital fluminense com várias infecções. O corpo do artista será cremado e as cinzas serão trazidas até o Sítio Natura, em Nova Viçosa.
Frans Krajcberg que ficou conhecido pela luta contra a devastação das florestas, nasceu em Kozienice, Polônia, em 11 de abril de 1921. Ele, no entanto, sempre se afirmou como brasileiro. “A imprensa insiste em dizer que sou polonês naturalizado brasileiro; não sou. Sou brasileiro”. Ele vivia no Brasil desde 1948 e residia em Nova Viçosa desde 1972, após ter se apaixonado pelos manguezais da cidade. Frans Krajcberg era considerado um dos 10 artistas vivos mais importantes do Mundo e o mais importante escultor do Planeta Terra. Ele nasceu na Polônia e era naturalizado brasileiro desde 1957. Ele é o único brasileiro (agora imortalizado) que possui um museu em Paris, na França.

A exuberante natureza de Nova Viçosa lhe deu o refúgio que buscava, onde morava desde 1972, abrigado na sua fabulosa Casa da Árvore, que ele gostava de chamar de “Casa do Tarsan”, além de ter ficado o seu amplo museu abrigando as suas obras mais famosas que nunca quis vender e que viajou o mundo com ele. O Sítio Natura, onde residiu os últimos 45 anos da sua vida cercado pela única porção de Mata Atlântica remanescente na região, e que tomou para si a tarefa de manter intacta, Frans Krajcberg estava construindo um museu para abrigar suas obras mais famosas.
Conhecido principalmente por suas esculturas feitas a partir de troncos e raízes de árvores calcinadas pelos incêndios que derrubam densas áreas verdes para transformá-las em pastos, Frans Krajcberg sempre foi um artista comprometido. Sua obra transitou pela pintura, escultura, gravura e fotografia, expôs no mundo inteiro e foi o artesão mais premiado do planeta, tanto que os países do Japão e França lhe consagraram como o artesão mais importante do mundo.

Com mais de mil esculturas, seu acervo foi doado ao governo do estado em 2009 e, morreu aguardando que o museu prometido pelo poder público saísse do papel. Na ocasião, o artista assinou a escritura de doação de seu sítio em Nova Viçosa, onde vivia e trabalhava, com a contrapartida da instalação da Fundação-Museu pelo estado. O então governador Jaques Wagner se comprometeu de construir cinco prédios no local para abrigar a obra do artista, que é disputada por diversos estados e países. Passados oito anos, tudo segue como antes e as mudanças feitas no local estavam sendo executadas com recursos próprios do artista.
O governador lamentou a morte
O governador Rui Costa (PT) lamentou, por meio das redes sociais, a morte do artista plástico Frans Krajcberg e decretou luto oficial por três dias no Estado. “Não tenho palavras para definir o que significa a perda para a Bahia e para o mundo. Polonês de coração baiano, nos deixou na manhã de hoje com quase 100 anos, parte deles dedicada a uma carreira com obras que inspiram vida”, registrou. Rui acrescentou que “seu trabalho sempre foi dedicado à defesa da natureza. Esculpiu, impressionou e sensibilizou a todos. Tudo o que ele construiu continua preservado para esta e para novas gerações. Meus sentimentos a todos os familiares, amigos e admiradores”.

O prefeito decretou luto oficial

O prefeito de Nova Viçosa, Manoel Costa Almeida, o “Manoelzinho” (DEM), lamentou profundamente a morte do artista plástico e escultor Frans Krajcberg e decretou luto oficial por três dias no município. “Frans Krajcberg era a maior estrela da ecologia brasileira, perdeu Nova Viçosa, a Bahia, o Brasil e Mundo por tudo que ele representava como o gênio que adotou a floresta brasileira. O meio ambiente sentirá muita falta dele e os manguezais de Nova Viçosa perderam o seu grande defensor, em compensação, o mundo ganhou uma estrela fascinante que fará a nossa arte mais exuberante e mais rica, carregando o seu nome para a eternidade”, enfatizou o prefeito Manoelzinho.

Sua última festa de aniversário


No seu último aniversário de 96 anos, o escultor e artista plástico Frans Krajcberg reuniu em seu “sítio natura” na cidade de Nova Viçosa, amigos, políticos, personalidades, convidados e a nata artística do país na quarta-feira, dia 12 de abril de 2017, para celebrar os seus 96 anos de idade.
Ao lado da artista plástica Bia Dórea (primeira dama de São Paulo) e outras personalidades Frans Krajcberg laureou o escritor Athylla Borborema com uma gravura própria em comemoração aos seus 96 anos.

Frans Krajcberg cortou o bolo do seu aniversário e solicitou uma celebração a natureza. Ele pousou para fotos com os seus convidados e dançou com as amigas famosas. A festa começou as 11h da manhã na sua residência da “casa da árvore” e se finalizou no final da tarde, com os convidados visitando o seu museu no Sítio Natura.

Em tributo aos seus 96 anos de vida, Frans Krajcberg selecionou 96 personalidades, entre políticos, empresários, artistas das artes e da literatura para receber um troféu confeccionado pelo próprio artista. A peça em madeira trouxe uma gravura do autor e uma estrutura plástica também gravada.

Biografia

Frans Krajcberg celebrando o premiado livro “Um Gole Dágua” em tributo a ecologia brasileira do escritor e jornalista Athylla Borborema entregue ao artista pelo próprio autor.

Durante a 2ª Guerra Mundial (1938-1945) em 1939, Krajcberg perdeu toda sua família e seus descendentes, quando ele buscou refúgio na União Européia, onde estudou engenharia e artes na Universidade de Intgrad. Residiu na Alemanha prosseguindo seus estudos na Academia de Belas Artes de Stuttgart. Chegou ao Brasil em 1948, vindo a participar da 8ª Bienal de Belas Artes de São Paulo, em 1951. Durante a década de 1940 o seu trabalho era abstrato.

De 1948 a 1954 viveu entre as cidades de Paris, Ibiza e Rio de Janeiro, onde produziu os seus primeiros trabalhos fruto do contato direto com a natureza. Na década de 1950 morou em uma caverna no Pico da Cata Branca, região de Itabirito, no interior de Minas Gerais. Ali na região, à época, ele era conhecido como o “barbudo das pedras”, uma vez que vivia solitário, sem conforto, tomando banho no rio vizinho, enquanto produzia, incessantemente, gravuras e esculturas em pedra.

Em 1956, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde dividiu o ateliê com o escultor Franz Weissmann (1911/2005). Naturalizou-se brasileiro no ano seguinte. Em 1964, executou as suas primeiras esculturas com madeiras de cedros mortas. Realizou diversas viagens à Amazônia e ao Pantanal Matogrossense, fotografando e documentando os desmatamentos, além de recolher materiais para as suas obras, como raízes e troncos calcinados. Na década de 1970 ganhou projeção internacional com as suas esculturas de madeira calcinada.

A sua obra reflete a paisagem brasileira, em particular a floresta amazônica, e a constante preocupação que tinha com a preservação do meio ambiente. Atualmente, o artista se dedicava à fotografia. Frans Krajcberg estava radicado desde 1972 no extremo sul da Bahia, onde mantinha o seu ateliê no Sítio Natura, na cidade de Nova Viçosa. Foi ali que chegou o convite do amigo e arquiteto Zanine Caldas, que o ajudou a construir a sua habitação: uma casa, a sete metros do chão, no alto de um tronco de pequi com 2,60 metros de diâmetro.

À época Zanine sonhava em transformar Nova Viçosa em uma capital cultural e a sua utopia chegou a reunir nomes como os de Chico Buarque, Oscar Niemeyer e Dorival Caymmi. No Sítio Natura, uma área de 1,2 km², um resquício de Mata Atlântica e de manquezal, o artista plantou mais de dez mil mudas de espécies nativas. No sítio, dois pavilhões projetados pelo arquiteto Jaime Cupertino, abrigam atualmente mais de 400 obras do artista. Frans Krajcberg sonhava com mais cinco construções projetadas, onde se constituiria o Museu que “levaria/levará” o seu nome para a imortalidade. 

PHOTO JORNALISMO / Da redação TN.

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