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Matou ex-marido: ‘indícios levam a tese de legítima defesa’, diz delegado


Belmonte: 
A mulher que matou o ex-marido com uma facada no peito, em Belmonte, vai responder em liberdade. Segundo o delegado Wendel Ferreira, todos os indícios apontam que a garçonete Keila Souza dos Santos, 28 anos, agiu em legítima defesa. Por enquanto, ela vai responder, em liberdade, por homicídio simples. O inquérito, logo que for concluído, será encaminhado para o Ministério Público.

"O promotor é que vai avaliar se o caso se enquadra em uma legítima defesa. Caso contrário, ele pode opinar pela sua prisão preventiva, junto à justiça", explica o delegado Wendel Ferreira. Keila e o servidor público municipal Ivo Conceição Bandeira Neto, 35 anos, moraram juntos durante três anos. Segundo ela, foi um relacionamento marcado por agressões físicas. No depoimento prestado na quinta-feira (28), ela contou que tinha medo de denunciar o companheiro e sofrer alguma represália.

Há quatro meses, durante a gravidez dela, os dois romperam o relacionamento. Mas, segundo Keila, Ivo não aceitava a separação e tentava, a todo o custo, uma reaproximação. Em depoimento prestado na quinta-feira (28), ela contou que, por volta das 3h da madrugada, daquele mesmo dia, enquanto amamentava o seu bebê de um mês, Ivo chegou à sua casa muito agitado, forçando a porta, tentando entrar.

Segundo ela, a sua filha de 11 anos, fruto de outro relacionamento, acordou com o barulho e abriu a porta, momento em que começou a ser agredida física e verbalmente por Ivo. "Ela nos relatou que ficou apavorada com aquilo tudo, pedia para ele parar e nada. Então, mesmo com o bebê colo, pegou uma faca que estava na pia da cozinha e o acertou. Ele ainda teria tentado tomar a faca dela e, na confusão, o recém-nascido também ficou ferido”, afirmou o delegado Wendel Ferreira.

No depoimento, Keila disse ainda que não tinha a intenção de matar Ivo, tanto que a primeira iniciativa que teve foi levar a criança até o hospital da cidade. O bebê levou cinco pontos em uma das pernas. Somente algum tempo depois, quando ainda estava no hospital, a polícia chegou ao local, avisando que o seu marido tinha morrido e ela estava presa.

O delegado acrescenta que ouviu também o depoimento de diversas pessoas, como familiares de Keila, vizinhos e outras pessoas próximas ao casal. "Todos disseram que ela era agredida e vinha sendo perseguida por Ivo nos últimos dias", finaliza Wendel Ferreira. Além do bebê de um mês, Keila também possui outros dois filhos, de 11 e 13 anos, de outro casamento.

Photojornalismo/Fonte: Radar64

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