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PM que matou dono do Segredos Motel se apresenta à Polícia Civil em Teixeira de Freitas


Um estudante de Direito e policial lotado na 87ª Companhia Independente da Polícia Militar de Teixeira de Freitas (CIPM) se apresentou espontaneamente no último sábado, 28 de março, 14 horas depois de ter matado com três tiros, o dono do Segredos Motel, no bairro Estancia Biquíni, na zona leste da cidade. O empresário Edvaldo Ferreira da Silva, 70 anos, dono do Segredos Motel, estabelecimento situado às margens da BA-290, no sentido Duque de Caxias, mais precisamente na Avenida Presidente Getúlio Vargas nº 7554, foi assassinado com três disparos de arma de fogo na madrugada deste último sábado (28/03), quando a companheira do PM foi alvejada certeiramente e o revólver do empresário registrado na Polícia Federal em seu nome foi apreendido pelo próprio militar autor do crime e entregue à Polícia Civil.

Após o crime por volta das 02h da madrugada, o delegado Bruno Ferrari, do NHT – Núcleo de Combate a Homicídios e Tráfico da 8ª Coordenadoria Regional da Polícia Civil, assumiu as investigações e convocou a perícia técnica para vistoriar e colher as evidências do cenário do assassinato. O delegado primeiro ouviu a recepcionista do Motel, que narrou à polícia que havia chamado o empresário Edvaldo Ferreira da Silva que se encontrava em repouso em seu quarto para tentar resolver um impasse com um cliente do estabelecimento comercial, que queria pagar com o cartão, opção que não é aceita pelo motel.

Segunda a recepcionista, foi proposto por ela ao cliente que deixasse algo seu pessoal no motel e depois retornasse pra fazer a retirada mediante o pagamento da conta no valor de R$ 20,00, mas a opção não foi aceita pelo cliente. O patrão ao ir conversar com o cliente, gerou uma discussão e ao perceber um silêncio por pouco tempo, logo depois foram ouvidos pelo menos 6 tiros e os demais clientes se apavoraram querendo sair do local e ao verificar, percebeu que o patrão já estava caído sangrando pela cabeça aparentemente morto e o possível autor do crime que teria tentado fugir de ré com o carro, terminou batendo numa estrutura do estabelecimento.

No local do crime os peritos apenas recolheram vestígios e documentos da vítima e um coldre de arma de fogo, aparentemente a vestidura de um revólver. Os peritos evidenciaram que o empresário foi morto com dois tiros na cabeça a curta distância e um na mão direita. De imediato o delegado Bruno Ferrari identificou que uma moça de 20 anos, que estava na companhia do criminoso teria saído ferida com um tiro na região clavicular direita e socorrida para o Hospital Municipal de Teixeira de Freitas, a qual não corre mais risco vida, embora o projetil permanece alojado em seu corpo. Em depoimento ao delegado, a moça disse que durante a discussão do amigo com o dono do Motel, o empresário terminou ficando muito nervoso na troca de insultos e agressões, quando correu de volta para o interior do estabelecimento e ao retornar, já foi logo disparando 2 tiros, sendo que um lhe atingiu porque estava na rota do confronto e o seu amigo policial por sua vez, reagiu matando o homem e apreendendo a sua arma de fogo.

O acusado do crime, é o policial militar Leonardo Santos Teixeira, 21 anos, natural de Vitória-ES., em período probatório na Polícia Militar da Bahia, com apenas 2 anos de corporação e lotado na 87ª Companhia Independente da Polícia Militar de Teixeira de Freitas. 

As 16h do último sábado, ele se apresentou espontaneamente ao delegado Manoel Andreetta, também do NHT – Núcleo de Combate a Homicídios e Tráfico da 8ª Coordenadoria Regional da Polícia Civil. Na sua versão dos fatos, o soldado Leonardo Teixeira disse que na noite do crime procurava algo para comer com uma moça que ele disse que é apenas sua amiga, mas tudo estava fechado na cidade em razão do acordo coletivo das entidades de classes que fechou o comércio por 15 em prevenção ao COVID-19 e o Segredos Motel era o único estabelecimento do gênero que estava aberto na cidade, mas ao acessar o Quarto nº 01 do estabelecimento e verificarem o cardápio, não gostaram do lanche que o local oferecia e em 15 minutos de permanência no quarto preferiram ir embora e solicitaram a conta.

Disse ainda que ao pedir a conta, solicitou a maquininha de cartão para pagar o valor dos R$ 20,00 e a moça disse que não passava cartão no local e que o valor teria que ser pago obrigatoriamente com dinheiro em espécie. Ele então disse que falaria pessoalmente com ela na recepção de saída e ao estacionar o seu carro na referida recepção, quando explicou pessoalmente a atendente que não tinha dinheiro na carteira, mas que ela podia lhe passar o número da conta que ele depositaria ou se ela confiasse, ele conseguiria o dinheiro e retornaria para pagá-la ou caso contrário que ela ficasse em mãos com a sua Carteira Funcional da Polícia Militar até que voltasse para apanhá-la e quitasse o valor. Momento que atendente teria apanhado a sua funcional e segurado com ela, embora dizendo que iria chamar o segurança do motel para decidir a cerca das opções.

O policial conta que ainda sem saber que o dito segurança pronunciado pela atendente fosse o próprio dono do Motel, aproximou-se um cidadão já gritando com ele e dizendo como ele teria coragem de usar um motel sem dinheiro, e que por sua vez, teria respondido instantaneamente que não conhecia nenhum estabelecimento que não aceitasse cartão. Disse que o homem continuava alterado, mas mesmo assim refez todas as propostas a ele que havia feito a atendente. De repente o empresário apanhou das mãos da atendente a sua carteira funcional e foi para atrás do seu carro e começou a tirar fotos com o celular, enquanto isso ele permaneceu dentro do carro na companhia da sua amiga, na esperança que o portão se abrisse para ele sair.

O policial militar Leonardo Teixeira disse que portava na cintura de forma não visível um revólver 38 funcional da PM e registrado em seu nome e que em momento algum durante a discussão insinuou que estivesse armado. Como o impasse foi demorando, ele saiu do carro e entrou na recepção e pediu ao dito senhor que seria o segurança que abrisse o portão para que ele pudesse sair, mas o seu pedido foi ignorado. Então ele pediu que lhe devolvesse a sua carteira de polícia e isso também não foi feito. Então ele tentou tirar a sua carteira funcional das mãos do homem, momento que ele foi agredido fisicamente com um soco no rosto e se viu obrigado a imobilizar o empresário para conseguir de volta a sua credencial. Mas o empresário Edvaldo teria se deixado cair ao chão e ao se levantar saiu correndo por um corredor levando consigo a sua credencial já rasgada e ele teria corrido atrás, mas ao perceber que o homem iria apanhar alguma arma, ele voltou para o lado de fora da área externa do Motel e entrou no seu carro.

Neste momento a recepcionista percebendo o perigo, ela mesma tomou a iniciativa de abrir o portão para o policial ir embora, mas apavorada, ao invés de acionar o portão de saída, ela abriu o portão de entrada que fica na rota transversal, o que obrigou o policial a sair de ré com o seu carro, mas na saída ele bateu o carro numa estrutura de concreto, momento que já escutava o empresário gritando “Toma aqui o seu, seu filho da P...”. Quando teria escutado um primeiro disparo de arma de fogo, quebrando o seu retrovisor esquerdo do lado do motorista e quando percebeu, o homem já estava próximo demais, quando disparou um segundo tiro em sua direção, que ao invés de lhe atingir, alvejou certeiramente a sua amiga, momento que se viu obrigado mesmo preso ao volante, a sacar sua arma e disparar 4 vezes contra o seu agressor. Que quando tentou fugir do homem, a batida no seu veículo causou danos impossíveis que lhe desse condições de conseguir sair com o carro e teve que abandoná-lo no local, sendo obrigado sair com a amiga quase nos braços a procura de socorro, que conseguiu pôr a moça dentro de um carro cheio de gente para levá-la até o Hospital. Já ele, teria saído a pé pela pista até que conseguisse contato com seus advogados. E que somente depois, teve a informação que o dito segurança era na realidade o dono do Motel.

Para o policial, ele agiu em estado de legítima defesa e que antes de deixar o local, recolheu a arma da vítima e levou consigo, protegendo a parte do punho e do gatilho para que uma possível comparação digital pudesse provar que a arma era realmente do empresário e também temendo que o tumulto causado no motel com tanta gente assustada querendo sair do local pudesse alguém subtrair ou esconder a arma da vítima para tentar dificultar a futura apreensão da mesma e principalmente as investigações. E durante a sua apresentação na Polícia Civil, o PM entregou tanto a sua arma utilizada no crime, quando a arma da vítima que ele havia recolhido no local. A Polícia Civil identificou a arma do policial militar Leonardo Teixeira, 21 anos, como sendo um revólver calibre 38, com 6 cartuchos no tambor, com 4 deflagrados e dois intactos. Na arma do empresário Edvaldo Ferreira da Silva, 70 anos, a Polícia Civil identificou também 6 cartuchos no tambor, com dois deflagrados e quatro intactos. Conforme cadastro digital do CRAF - Certificado de Registro de Arma de Fogo, o revólver apreendido como sendo da vítima, Calibre 38, marca Taurus, está devidamente registrado na Polícia Federal em nome do próprio empresário.

O delegado Manoel Andreetta que preside o inquérito policial do caso, disse que definirá pela conclusão do episódio somente depois que tiver em mãos todas as perícias solicitadas, como a criminalística de local de crime, exames de resíduos de disparo nas mãos de autor e vítima, laudo da companheira do militar, entrega do registro oficial da arma do empresário e os laudos de medicina legal e se necessário for poderá requerer uma reprodução simulada. O corpo do empresário Edvaldo Ferreira da Silva foi sepultado no final da tarde deste último sábado (28), no Cemitério Parque Reviver, na zona norte de Teixeira de Freitas. Ele era muito querido na cidade e não tinha histórico algum de problemas na sua vida e na madrugada do fato, tratou-se de um episódio simplesmente lamentável, porque ele não tinha o hábito de dormir no motel e na madrugada do fato foi uma noite atípica que por problemas pessoas teria procurado o seu estabelecimento para descansar, quando surgiu o problema na recepção que ao tentar resolvê-lo, terminou morto. (

PHOTO JORNALISMO / Por Athylla Borborema

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